Luísa Stern

Advogada, militante dos Direitos Humanos e pela cidadania de travestis e transexuais.

Seminário FLD 07


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Seminário Política e Religiões defende o estado laico e a diversidade religiosa

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Organizado pelo Fórum Inter-religioso e Ecumênico Pela Democracia, Diversidades e Direitos, aconteceu na manhã de sábado, 20 de agosto, no Salão de Atos Thereza Noronha do CPERS, o Seminário Política e Religião – Democracia, Diversidade e Direitos, com a presença de diversos convidados e a seguinte programação:

Seminário FLD Cartaz

A essência dos debates foi sobre o avanço das forças conservadoras, baseadas no fundamentalismo religioso e na nova onda do neoliberalismo, atacando as liberdades individuais, direitos de minorias, a laicidade do Estado e colocando em risco a própria Democracia, com a aplicação de um golpe parlamentar, midiático e judicial, contra o resultado de uma escolha legítima, por meio do voto popular.

Em sua intervenção, Luisa Stern começou abordando o ciclo de conferências nacionais, com as Conferências Conjuntas de Direitos Humanos demonstrando avanços da militância LGBT, mas o conservadorismo tomando conta de outras áreas e se infiltrando como uma erva daninha em alguns setores, inclusive na Conferência Nacional de Direitos Humanos.

Prosseguiu com a Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, que coincidiu com a etapa do golpe no Senado, que determinou o afastamento temporário da Presidenta Dilma Roussef, a forte repressão policial contra os movimentos de mulheres e o caráter machista, misógino, racista e LGBTfóbico da formação do ministério golpista.

Ainda, destacou que esse avanço do conservadorismo se reflete na violência contra as minorias, entre elas o recorde de assassinatos de pessoas trans no Brasil, que já ultrapassa a quantidade de 90 mortes em 2016, conforme levantamento tealizado pela Rede Trans – Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasio, que pode ser acessado por meio desse link.

Finalizando, diz que não vê uma boa perspectiva para o futuro próximo e sugere que uma das alternativas para enfrentar essas problemas é a união de todos os movimentos comprometidos com a defesa dos Direitos Humanos, ao mesmo tempo em que deixa uma porta aberta para tempos melhores, citando Judith Butler, quando ela afirmou que:

“Se a esperança é uma demanda impossível, então nós demandamos o impossível.”

Texto: Luisa Stern
Fotos: Rubia Zelina e Thiago Fiorino

Calouradas Feevale 1


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Transexualidade é tema de debate nas Calouradas da Feevale

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Na noite de ontem, 18 de agosto, aconteceu um debate sobre Transexualidade e Travestilidade no Campus 1 da Feevale em Novo Hamburgo, como parte das Calouradas, organizado pelo DCE da universidade.

Com a mediação de Ismael Boeira, representando o DCE da Feevale, e a participação de Marcelly Malta, Presidenta da ONG Igualdade RS e Vice-Presidenta da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil, Marina Reidel, Coordenadora Estadual LGBT da Secretaria de Justiça e Direito Humanos e Luisa Stern, militante da Igualdade RS, Advogada do G8-Generalizando do SAJU da UFRGS e Vice-Presidenta do Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre.

Os temas propostos pela organização foram:

* O que é a Transexualidade e gênero?
* Transexualidade e sociedade
* Transexualidade e politicas publicas
* TransAtivismo
* Transexualidade e escola
* Transexualidade e a politica!
* Vivencias pessoais

O evento começou em grande estilo, com show da travesti Renata Cristina Seybert, da ONG GAD Diversidade de São Leopoldo interpretando a música “Mudanças” de Vanusa, enquanto era projetado no telão o poema “A avesso da travesti” de autoria de Rafael Menezes.

Marina Reidel, que é Mestra em Educação pela UFRGS começou o debate lembrando que fez a sua graduação na própria Feevale, falando sobre os preconceitos que enfrentou, políticas públicas e desafios que encontra na condição de Coordenadora Estadual e integrante dos conselhos nacional e estadual LGBT.

Marcelly Malta seguiu contando diversas experiências pessoais, desde o tempo em começou a se descobrir, perseguições sofridas no tempo da ditadura militar e se emocionou ao falar sobre a sua prisão arbitrária e injustificada, logo após ter sido instrutora da Academia de Polícia. Também chamou a atenção para a quantidade cada vez maior de assassinatos de pessoas trans, a afirmação política da identidade das mulheres travestis e a criação de uma ala específica para mulheres travestis, homossexuais e seus companheiros, no Presídio Central de Porto Alegre.

Na sequencia, Luisa Stern abriu sua fala com um sonoro “Primeiramente, Fora Temer!”, chamando a atenção para os retrocessos que estão acontecendo em razão da ofensiva conservadora e preconceituosa na política e na sociedade. Também contou sobre sua experiência pessoal, destacando que se emocionou bastante com a apresentação artística de abertura, porque na infância foi apelidada de Vanusa (e depois de Karina), de maneira pejorativa pelos meninos da sua rua, em uma época e em idade que ainda não tinha nenhum conhecimento sobre sua identidade e a possível condição de transexual.

Após, dirigiu sua abordagem para a área jurídica, comentando sobre os projetos de lei em tramitação, ações que estão em andamento no Supremo Tribunal Federal e os mutirões de retificação do registro civil, realizados em parceria pelo G8-Generalizando, Igualdade RS e NUPSEX/UFRGS.

Aberto o debate ao público, as convidadas responderam perguntas diversas, sobre prevenção de DST/AIDS, diferenças entre os conceitos de travestilidade e transexualidade, transgêneros e cisgêneros e outros aspectos relativos ao tema principal.

No final, uma foto coletiva com integrantes do DCE e do público, para registrar a atividade. E a certeza de que mais algumas sementes foram plantadas no sentido de compartilhar conhecimento e vivências e promover o combate ao preconceito e discriminação.

Texto: Luisa Stern
Fotos: Marcelly Malta

 

Luisa Despatologização


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Despatologização das identidades trans e os movimentos sociais

A despatologização das identidades trans e a maneira que o assunto é enfrentado pelos movimentos sociais foi o tema abordado pela advogada e militante Luisa Stern no curso “População Trans e Saúde”, promovido pelo Centro de Referência em Direitos Humanos, Relações de Gênero, Diversidade e Raça – Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (CRDH – NUPSEX), da UFRGS, em parceria com o Conselho Regional de Psicologia do RS.

O evento aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de julho, no auditório da Justiça Federal de Porto Alegre e foi voltado para estudantes, profissionais e militantes de diversas áreas relacionadas com o assunto e  objeto de matéria em destaque no site do CRP-RS, que assim se referiu à sua abordagem:

“Luisa Stern, advogada a integrante da ONG Igualdade, debateu questões políticas relacionadas aos direitos da população trans, trazendo a perspectiva do Direito no que diz respeito à garantia de direitos. Ela explicou, ainda, como funcionam os processos de alterações dos registros civis no Brasil e destacou o trabalho realizado pelo grupo G8 – Generalizando do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, na realização de mutirões para a alteração de registros civis, em parceria com a ONG Igualdade. Até o momento, os mutirões, que costumam ser realizados no Dia da Visibilidade Trans (29 de janeiro) já auxiliaram na retificação de cerca de 130 registros de pessoas trans que conseguiram a alteração de seus documentos.”

Importante lembrar que Luisa Stern é uma das poucas pessoas no Brasil que assinaram o manifesto e apoiam a campanha internacional Stop Trans Pathologization desde o seu início, conforme lista de adesões individuais publicada no site oficial da campanha.

Crédito da foto: Galeria de Imagens do site do CRP-RS, que pode ser diretamente acessada por meio desse link.

 

 

 

 


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A vida de quem é trans, por Emily Mallorca

Apesar do artigo 5 assegurar que ninguém deve sofrer tratamento cruéis, desumanos ou degradantes, o Brasil é campeão em violência contra transexuais

Na manhã de 5 de abril de 2014, por volta das 5h30min, a técnica de enfermagem Nathalia Rios, 30 anos, saía a pé de uma festa com um amigo na zona leste de Porto Alegre. Quando se aproximavam da Avenida Bento Gonçalves, o companheiro de Nathalia avisou que iria comprar uma cerveja em um bar próximo; a técnica concordou e resolveu que esperaria por ele do outro lado da rua do estabelecimento. Quando o amigo de Nathalia voltou com a cerveja em mãos, encontrou-a no chão com o rosto desfigurado e sem nenhum tipo de movimento. Nathalia teve lesões múltiplas e traumatismo craniano.

Nathalia Rios é uma travesti e foi agredida por dois homens com pedras, socos e chutes. Durante o ato não teve nada roubado, o que na época fez a Polícia Civil pensar em transfobia. No dia 20 de maio de 2016, a Justiça do Rio Grande do Sul condenou um dos agressores a oito anos e oito meses de reclusão por tentativa de homicídio. Seu comparsa, que na época era menor de idade, não foi punido. A transfobia — aversão ou discriminação contra pessoas trans, baseada na expressão de sua identidade de gênero — , assim como a homofobia, não é crime no Brasil, mas a luta em busca desse direito é grande.

Congresso conservador

Para o presidente da Comissão Especial de Diversidade Sexual da OAB do Rio Grande do Sul, Leonardo Vaz, um dos maiores problemas está no Congresso Nacional, pois as leis para causas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) dificilmente são aprovadas, por causa da força da Frente Parlamentar Evangélica. O que é realmente preocupante, pois estima-se que um LGBT é morto por dia no Brasil.

Nem sempre os casos envolvendo travestis e transexuais são resolvidos, como foi a situação da transexual Nathallya Figueiredo, 25 anos, morta a facadas na cidade de Capão da Canoa (RS) no início deste ano. Os investigadores acreditam que Nathallya foi vítima de transfobia, porém o caso continua em aberto.

O tempo médio de vida de travestis e transexuais no país é de 35 anos e as mortes costumam estar inseridas em contextos de violência. “O importante é criminalizar o discurso de ódio que a nossa sociedade tem, o que não se muda de um dia para o outro. Se a transfobia fosse crime, diminuiriam os homicídios LGBT (de dez, sete envolvem travestis e transexuais) e mostraria para a população que há punição e um agravante para este crime”, diz o advogado Vaz.

Entre 2012 e 2014, foram registrados sete homicídios entre a população trans e de travestis no Rio Grande do Sul. Porém, os dados só levam em conta vítimas que tem a Carteira de Nome Social (CNS), ou seja, os números podem ser muito maiores, segundo o Observatório da Violência da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul. Mesmo com subnotificação, o Brasil é o país que mais mata trans e travestis no mundo. Entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram mais de 600 mortes, de acordo com um relatório divulgado pela ONG Transgender Europe (TGEU).

Ainda é muito complicado encontrar dados a respeito de transexuais e travestis no Brasil. Por isso, o Ministério da Saúde orienta como os profissionais da saúde devem preencher a ficha do Sistema de Informação e Agravos de Notificação (SINAN), incluindo os campos de orientação sexual, identidade de gênero e motivação da violência para criar um banco de dados contra essa população.

“Eu sofro transfobia a partir do momento em que me perguntam como eu faço sexo ou qual é o meu ‘nome de verdade’”. Luiz Uchoa

Para Luiz Fernando Prado Uchoa, natural de Guarulhos (SP), 32 anos, que se identifica como homem trans (pessoa que nasceu com características que definem seu sexo como feminino, mas se identifica com o gênero masculino), a transfobia está presente no seu cotidiano: “Eu sofro transfobia a partir do momento em que a pessoa sabe da minha transmasculinidade, quando me perguntam como eu faço sexo ou qual é o ‘meu nome de verdade’. Você sofre transfobia a partir do momento em que está dentro do Código Internacional de Doenças (CID-10 — F64.0 Transexualismo). Eu posso sofrer estupro coletivo, eu posso ser morto, enfim, milhares de coisas podem acontecer comigo”, diz

Já a advogada Luísa Stern, natural de Porto Alegre, 50 anos, se identifica como mulher trans (quando uma pessoa nasceu com as características que definem seu sexo como masculino, mas se identifica com o gênero feminino e se considera uma pessoa do gênero feminino) já sofreu transfobia institucional.

Quando resolveu fazer sua transição, foi obrigada a largar a atividade que exercia há anos, pois, não a aceitaram da maneira como ela é. Luísa ficou anos se tratando de depressão e outros problemas vasculares cerebrais que a acompanharam nessa jornada tão complicada. Depois de recuperada, Luísa voltou à ativa como militante do movimento LGBT e hoje é vice-presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos (CMDH) de Porto Alegre.

A transfobia pode levar transexuais e travestis a desistirem de procurar melhores condições de trabalho. Cerca de 90% das travestis e transexuais no Brasil estão na rua se prostituindo, de acordo com pesquisa realizada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) em 2013. Para Shelley Urack, natural de Porto Alegre, 21 anos, que se identifica como mulher travesti (pessoas que se assumem e/ou se identificam com características físicas, sociais e culturais de gênero diferentes do seu sexo atribuído no nascimento), explica por que não sai de seu atual trabalho: “Eu comecei a me prostituir aos 16 anos para poder sair de casa e me tornar independente. Pra mim, o mais complicado de vivenciar diariamente é, sem dúvida, o preconceito. É por isso que ainda não fui atrás de outro emprego. Ser travesti é sofrer preconceito diariamente. Além disso, nenhum outro emprego vai me pagar o que eu ganho agora. Tem noites que eu consigo tirar uns R$ 700”, diz.

O depoimento de Shelley revela que, apesar de escolher a prostituição como meio de ganhar dinheiro, outro aspecto a afasta do mercado formal: o preconceito. Mas há quem vença este obstáculo, como foi o caso da advogada A.L.C, natural de Porto Alegre, 40 anos, que se considera mulher transgênera (quando o corpo está pronto para receber e só se sente completo com a realização da Cirurgia de Redesignação Sexual).

Ela diz que nunca sofreu transfobia no mercado de trabalho, com amigos e pessoas de seu convívio social, porém, quando se trata da família, já não é bem assim: “Meu pai é juiz e meu irmão, desembargador. Como a cultura deles é a tradicional, eles têm dificuldade de me aceitar. Eles es-tão com processos judiciais para retirar o meu patrimônio e para me esconder como mulher trans”, diz. A. L.C dedica sua vida aos estudos e exibe uma extensa lista de formação: jornalismo, artes plásticas, direito, especialização em direito internacional, pós-graduação em direito da família, direito do trabalho e direitos humanos.

“O mais complicado de vivenciar diariamente é o preconceito, por isso ainda não fui atrás de outro emprego”. Shelley Urack

Estima-se que 10% da população trans e de travestis estejam no mercado formal. Ainda que o número seja pequeno é o começo para o avanço nos direitos LGBT.


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Sobre cicatrizes e lindas histórias tristes

No amigo secreto do G8-Generalizando, grupo do SAJU da UFRGS do qual participo como Advogada voluntária, realizado no fim do ano passado, entre outras coisas lindas como a sua primeira obra de arte, ganhei um livro de presente da Nani, nossa colega que é estudante de Artes Visuais.

O título é “Pequena Abelha” e conta a história fictícia de uma refugiada nigeriana e de uma jornalista inglesa, e o modo como as vidas delas se cruzaram de maneira insólita, mas definitiva.  Pequena Abelha é o apelido da moça nigeriana, o texto a seguir  está logo no primeiro capítulo e é uma das muitas reflexões que ela faz ao longo da obra.

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Seres de Luz

Todos somos seres de Luz.
Irradiamos nossa energia, nossos desejos, nossos sonhos, nossos sentimentos…
Às pessoas que se aproximam de nós, recebem essa energia,
por isso é imprescindível que se observe que tipo de energia vc está distribuindo.
Um sorriso diz muitas coisas, quebra barreiras, afasta a tristeza,
gera um campo de energia em volta do seu corpo, onde tudo de mal se afasta.
 
Sorria, mesmo que as coisas não estejam indo bem,
depois do primeiro sorriso, vc perceberá quanta diferença ele causou na sua Vida.
Beijos de LUZ


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Homem de saia, salto alto, batom e lingerie

CROSSDRESSERS: Heterossexuais que sentem prazer ao se vestir de mulher

Desde a infância, Roberto preferia estar no grupo das meninas, e olhava mais para vitrines femininas. Quando jovem, usava roupas da mãe ou da irmã, em segredo.

“Você repara mais em coisas que só mulheres reparam”, afirma. Ele não é homossexual, mas sente prazer em se vestir como mulher. Roberto é um crossdresser (CD) e Vanessa está incorporada à sua personalidade.

O crossdressing é um tipo de travestismo considerado Distúrbio de Identidade de Gênero – quando a pessoa não se adequa ao seu gênero físico. Segundo a psicanalista Eliane Kogut, cujo tema da tese de doutorado foi o crossdressing masculino, ele é um distúrbio principalmente do ponto de vista cultural, pois vai contra costumes e tradições vigentes. Ela acredita que, futuramente, o crossdressing deve ser visto de outra forma, como a homossexualidade, que deixou de ser considerada um distúrbio em 1974.

Segundo Roberto/Vanessa, o que os CDs sentem é a necessidade de vivenciar o sexo feminino. “Queremos nos vestir e nos portar como uma mulher. É assim como uma necessidade que se tem de fumar ou beber”, conta. Eliane concorda e diz que não se trata de uma escolha. “Se eles não se vestirem, a angústia vai a níveis muito elevados. É como uma droga, porque existe uma espécie de fissura”. Essa angústia oscila entre a vontade incontrolável de se vestir de mulher e a negação
total do ato.

Os CDs normalmente começam a se travestir ainda na infância, antes da chegada da puberdade. Segundo a pesquisa de Eliane, a maioria começa entre quatro e seis anos de idade. Não há comprovação de que haja alguma relação com a carga genética, porém, acredita-se que o fator biológico e o cultural se complementam na formação de um crossdresser. “A influência cultural pode vir de uma mãe apagada, um pai mais agressivo, ou mais ausente, que seja alguém com quem o filho não queria se identificar”, explica a psicanalista.

Caricaturas de mulher

Eliane ressalta ainda que há grandes diferenças entre os travestis ‘normais’ e os CDs. Os travestis são homens com características femininas adquiridas por meio de hormônios ou plásticas, que agem e se vestem como uma mulher, e geralmente são homossexuais. “O CD é um travesti diferente, que tem a vida masculina estruturada também”, explica. A imagem que se tem dos travestis está muito associada à marginalidade. Os CDs são, na maioria, pessoas bem sucedidas, que trabalham e levam vidas relativamente normais.

Segundo Vanessa, eles não têm a pretensão de se tornarem mulheres perfeitas. “As mulheres já nascem prontas. Nós passamos por todo um aprendizado e chegamos a uma caricatura do que é uma mulher”. Muitos CDs, que são heterossexuais em sua maioria, brincam que gostam tanto de mulheres que resolveram tornar-se uma.

Se o CD é solteiro, pode formar seu guarda-roupa feminino com mais liberdade. Já quando é casado, contar para a esposa é um passo difícil. Muitas vezes, essa condição não é aceita pela mulher, o que pode inclusive acabar com relacionamentos. No entanto, muitas apóiam e, às vezes, até participam.

Vanessa foi casada por 20 anos, e sua esposa não aceitava a situação. Seus dois filhos não sabem que o pai é CD. “Eu viajava muito, aí levava as roupas e me satisfazia escondido”. Vanessa, no entanto, acredita que o principal não é a aceitação dos outros, mas a própria. “Várias vezes eu tentei negar isso. Mas até você descobrir quais são seus limites, é um caminho dolorido”, diz. Quando ainda não sabia o que era o crossdressing, achava que era homossexual. “Eu sabia que a sociedade não aceitaria, eu não queria ser gay! E, ao mesmo tempo, eu nunca me senti atraído por menino nenhum”, lembra.

Eliane diz que eles pensam que são aberrações até descobrirem que existem pessoas com o mesmo problema. A facilidade de encontrar informações na internet e organizações como o Brazilian Crossdresser Club (BCC) ajudam muito. O BCC realiza eventos para que os CDs possam conviver socialmente e aproveitem momentos de encontro para ficarem ‘montados’ (vestidos de mulher). Compartilhar as experiências com pessoas que passam por situações semelhantes é muito importante para eles, segundo Eliane.

 

Marido, pai e crossdresser

Atualmente, Vanessa diz que só se relacionaria com uma mulher que aceitasse e tivesse pleno conhecimento do crossdressing. “De que adianta amar uma pessoa, mas não compartilhar com ela minha totalidade? Não quero mais esconder, já chega o que escondo no trabalho e da família”, afirma. Como mora sozinha, Vanessa tem mais liberdade para guardar suas peças femininas. “Tenho um guarda roupa que qualquer mulher teria, e há muito tempo que só uso lingerie feminina”, revela.

Para os que têm a cumplicidade da esposa, fica mais fácil assumir o crossdressing. Reinaldo é casado, tem filhos e parte de sua família conhece seu outro lado. No escritório em que trabalha, onde também é o chefe, não esconde Kelly de seus funcionários. “Eu consegui transmitir para eles que o Reinaldo é o que é, um bom profissional, e é isso que importa”. Mas, quando está montado e encontra algum conhecido, a desculpa é sempre algo do tipo ‘perdi uma aposta, por isso estou assim’. O anonimato, segundo ele, é o ‘grande barato’ do crossdressing. Vanessa
concorda: “Seu vizinho ou alguém da sua família pode ser um CD, e você, talvez, nunca saiba disso”.

Carlos/Patrícia é hétero convicto e nunca teve dúvidas sobre sua sexualidade. “Mulher põe roupa de homem e ninguém liga. Mas se um homem põe uma sandália, uma saia, é gay. Não posso fazer isso e continuar a ser heterossexual?”, questiona. No entanto, ele admite que o crossdressing não é considerado “normal” na sociedade, e respeita a visão de quem não entende. Ele acredita que por ter desenvolvido mais seu lado feminino consegue também entender melhor as mulheres. “Vou comprar roupa no shopping junto com a namorada, a gente dá opinião um pro outro, é uma relação diferente”, explica. Rafaela, sua namorada, completa: “É como se fosse a sua melhor amiga, mas é seu namorado ao mesmo tempo”.

 

Crossdressing não é fetiche

Segundo a tese de Eliane, uma parte dos CDs é bissexual e outra é heterossexual. Ela não conheceu, durante toda a pesquisa, um crossdresser que fosse homossexual. Quanto ao erotismo, que é aquilo que provoca e mantém a excitação, eles não se enquadram em nenhuma dessas opções. Para um homem homossexual, por exemplo, o objeto de desejo é outro homem. Para o heterossexual, é o sexo oposto. Mas, para os CDs, apesar de terem relações com os dois gêneros, o erotismo não está voltado para a outra pessoa, e sim para a própria figura feminina que eles constroem.

Essa figura não é uma personagem, porque não se trata de uma atuação. “São eles próprios”, diz Eliane. E também não é apenas um fetiche porque, no caso dos fetichistas, a relação com o vestuário feminino não está associada ao transtorno de gênero. É apenas um desvio do objeto de desejo sexual para peças específicas, como calcinhas ou sapatos de salto alto. “Esses que têm apenas o fetiche de botar uma calcinha e aparecer no Orkut ou numa webcam não são CDs de verdade”, explica Vanessa.

A grande diferença, de acordo com Eliane, é que os CDs têm alguns componentes femininos na personalidade. Mas a mulher que eles acreditam ser é criada do ponto de vista masculino, a partir do que eles acham que a mulher é e pensa. “As mulheres não sentem prazer em balançar
os cabelos, com o ‘toc toc’ dos tamancos, ou em vestir uma meia calça, por exemplo. Mas, para eles, o prazer de ser mulher é vestir a roupa e balançar os cabelos”, exemplifica a psicanalista.

 

JULIANA VITULSKIS

 

Matéria do Jornal Comunicação, jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFPR – Universidade Federal do Paraná, Edição 08 – Novembro de 2008.

A edição inteira do jornal, em PDF, pode ser baixada nesse endereço:

http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/files/impresso/1108.pdf
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Homens de vestido vão ao divã

A psicanalista Eliane Kogut fala sobre os crossdressers
Reportagem Juliana Vitulskis
Edição Flávia Silveira
Juliana Vituslkis

Segundo Eliane Kogut, não é uma decisão racional dos crossdressers se vestir ou não de mulher, mas uma necessidade muito grande

Os crossdressers (CDs) sofrem uma compulsão: se vestir de mulher, embora a maioria deles seja heterossexual e preserve sua masculinidade. Vários deles foram pacientes de Eliane Kogut, psicanalista, doutora em psicologia clínica.

Durante seis anos, Eliane acompanhou os integrantes do Brazilian Crossdresser Club (BCC) e defendeu, em 2006, uma tese de doutorado na PUC de São Paulo sobre esse grupo social: Crossdressing masculino, uma visão psicanalítica da sexualidade crossdresser. Antes, sua tese de mestrado deu origem ao livro Perversão em Cena, sobre perversão sexual, psicanálise e cinema. Na tese, ela distingue erotismo de sexualidade, o que permite ampliar a pesquisa sobre o assunto, além de desvendar um universo tão ambíguo. Em entrevista ao Comunicação, ela fala sobre o assunto, ainda pouco conhecido.

Comunicação: Porque o interesse pelo assunto? É relevante estudar esse comportamento em que sentido?

Eliane Kogut: Não tinha nada ainda a esse respeito, nem a partir desse ponto de vista quando eu fiz a minha tese. Eu tinha feito a minha tese de mestrado em sexualidade humana, sobre perversão e cinema. E nesse período eu tive um paciente que tinha algumas características de crossdressing, que foi quando eu comecei a pesquisar o assunto. Enquanto eu estava pesquisando, também foi publicada uma matéria sobre isso na revista Marie Claire, em 2000. A partir daí eu fui pesquisando mais e mais, e achei que era um tema muito interessante, pouco conhecido. Achei necessário pesquisar o assunto também porque eles passam por muito sofrimento. Às vezes eu converso com colegas meus, psicólogos, e muitos deles ainda não conhecem o crossdressing. Realmente é uma coisa pouco divulgada e pouco conhecida. E isso gera preconceito, o que provoca mais sofrimento ainda.

A matéria da revista Marie Claire pode ser encontrada aqui

 

Comunicação: O crossdressing é considerado um distúrbio?

Kogut: É um distúrbio no sentido cultural. No DSM-IX e no CID-10, que são catálogos das doenças psiquiátricas, o travestismo está lá. Agora, se a gente pensar também que em 1974, a homossexualidade ainda estava nesses catálogos, imaginamos que no futuro pode ser que o travestismo saia também. Eu pessoalmente não acho que eles são doentes.Cheguei à conclusão é de que o crossdressing é mais ou menos como uma droga, porque existe uma espécie de fissura. Eles têm que se vestir, é uma necessidade, se não a angústia vai a níveis muito elevados. Não é algo que eles escolhem.Claro, depois que eles fazem parte desses grupos, como o Brazilian Crossdresser Club, aí eles não se vestem apenas quando vem essa angústia. Existe o que eles chamam de urge e purge. A urge é a urgência de se vestir. Aquilo vem com força e, se eles não se vestem, a angústia vai a mil. E a purge é a negação, a reação do tipo: “eu não posso mais ser isso, isso não é bom para mim”. Então eles desistem de tudo, geralmente dão tudo que eles têm – eu conheço pessoas que já deram dois guarda-roupas inteiros – mas aí tornam a fazer, porque isso volta depois com muita força. Não se trata de uma decisão racional, não é desejo – é uma necessidade muito grande de se vestir de mulher.

Comunicação: Existe uma idade, em média, para o surgimento do crossdressing? Pode se desenvolver ao longo da vida? E existem possíveis explicações para o surgimento desse comportamento?

Kogut: A maioria dos homens que eu conheci e pesquisei começou entre 4 e 6 anos de idade. Em termos genéticos, a gente não tem nenhuma comprovação de que exista algum fator dominante. Imagina-se que pode ser que existam o fator genético e o cultural, que são complementares – se houver uma predisposição genética e o meio cultural contribuir, pode resultar no crossdressing. Temos hipóteses, mas não existe nenhuma pesquisa que defina que isso é genético, ou só cultural.

Comunicação: E o que compõe essa influência cultural?

Kogut: Pode ser composta de uma mãe ‘meio apagada’, um pai mais agressivo (não no sentido de agressão física), ou mais afastado do filho, mais ausente, que seja alguém com quem o filho não se identifique muito. Mas, no final, ele tem as duas identificações: a identificação com o pai e a identificação com a mãe.

Comunicação: O crossdresser pode deixar de ter a necessidade de se vestir de mulher?

Kogut: Eu nunca vi um crossdresser que parou completamente de querer se vestir de mulher. No meu consultório, trabalho buscando o que eles querem. Se para a pessoa o crossdressing é um incômodo muito grande, vou desenvolver um trabalho voltado para ampliar mais a vida masculina dela. Mas, mesmo assim, a gente tem que elaborar esse lado feminino que existe, ele tem que ser integrado na personalidade. Se o indivíduo tem vontade de viver bem as duas coisas, e integrar mais esse lado feminino na vida dele, damos esse enfoque ao tratamento. Eu tive um paciente que a única coisa que ele gostava era de ter relações sexuais com a esposa vestido de mulher. Era só isso que ele precisava, não fazia questão de sair vestido de mulher. Alguns que só gostam de vestir roupa íntima feminina. Então existem várias as graduações do crossdressing. Têm aqueles que se vestem todo final de semana e freqüentam festas, e tem os que vão fazendo transformações no corpo, que podem até chegar a se tornar transexuais – que é fazer a cirurgia de redesignação sexual, para se tornar mulher mesmo.

Comunicação: O crossdressing pode então ser considerado um travestismo em menor grau?

Kogut: O crossdresser é um travesti, mas é diferente do travesti de rua. Eles têm a vida masculina deles, o travesti não. Muitos travestis vivem de prostituição, se envolvem com drogas. Isso porque eles têm muita dificuldade em serem aceitos na sociedade. Existe muito cabeleireiro, costureiro, maquiador que é homossexual. Mas você não vê travestis nessas funções, por exemplo. Eles são pouco aceitos, não têm lugar na sociedade. Agora, esse travesti sobre o qual estamos falando, o crossdresser, ele tem a vida normal, como homem, e quando quer, se veste de mulher. Eles também não têm nada de afeminados.

Comunicação: E quanto à sexualidade, o que diferencia o comportamento dos crossdressers?

Kogut: O que foi muito importante na minha tese foi que eu distingui comportamento de erotismo. Comportamento é aquilo que você faz. Erotismo é aquilo que provoca e mantém a excitação. Então, no comportamento, uma parte deles é bissexual (mantém relações sexuais com ambos os sexos) e outra parte é heterosexual (mantém relações com o sexo oposto). Eu não conheci nenhum crossdresser homossexual (relações com o mesmo sexo). E no erotismo eles não são nem hetero, nem homo, nem bissexuais, porque, apesar de eles terem relações com os dois gêneros, masculino e feminino, o erotismo deles não está voltado para a outra pessoa. Por exemplo, para o homossexual, o objeto de desejo é outro homem. Ou seja, um homem forte, musculoso, com barba cerrada. Se for uma mulher, é outra mulher e uma mulher também feminina, não tem essa coisa de ficar procurando só mulheres masculinizadas. Para o heterossexual, o objeto de desejo é o sexo oposto. Mas, para os CDs, o objeto de desejo é a própria figura feminina que eles constroem.

Comunicação: Essa figura feminina é uma personagem?

Kogut: Não é uma personagem, porque não é uma atuação. É um lado deles mesmos, que é assim feminino. Então, quando eles estão com uma mulher, não sempre, mas muitas vezes, o desejo é de ser aquela mulher. A fantasia e o erotismo para o CD é ele se imaginar sendo aquela mulher com quem ele está mantendo relação sexual. Quando ele está com um homem, aquele homem significa que ali existe uma mulher, o que corrobora com a figura feminina dele. É complicado, é ambíguo, não é fácil de compreender.

Comunicação: Eles se sentem como mulheres? De que forma essa presença feminina compõe a personalidade deles?

Kogut: Muitos deles se sentem homens com alma feminina. Muitos me falam assim: “As mulheres deveriam gostar muito de nós, porque somos capazes de compreendê-las muito melhor, nós conhecemos a alma feminina”. Mas o que eu percebi durante a minha tese também é que, embora eles tenham alguns componentes femininos na personalidade, o que eles chamam de alma feminina é uma impressão criada do ponto de vista masculino. É o que eles acham que a mulher é. As mulheres não sentem prazer em balançar os cabelos, com o ‘toc toc’ dos tamancos, ou em vestir uma meia. Mas, na visão deles, a mulher é isso, ela sente prazer em se vestir como mulher. Até porque o prazer deles é esse: vestir uma meia calça, salto alto e balançar os cabelos.

Comunicação: O crossdressing é um fetiche?

Kogut: Não é só fetiche, porque o fetiche é quando a pessoa só tem prazer sexual com uma parte da sexualidade: com a presença de um objeto, ou com uma parte do corpo. E, no caso dos crossdressers, a fixação é no corpo inteiro. O grande prazer é com a figura feminina que eles conseguem montar. Embora eles gostem muito de salto alto, não é só isso que gera prazer. O que traz a excitação é ele se sentir uma mulher, sobre o salto alto. Às vezes eles se vestem apenas com calça jeans e camiseta, mas o importante é eles sentirem que fizeram uma boa montagem de mulher. É diferente também da drag queen, que faz uma figura mais debochada, exagerada e é, normalmente, homossexual.

Comunicação: E como fica a questão dos limites entre o feminino e o masculino? De que forma isso é trabalhado na psicanálise?

Kogut: Trabalho com eles da mesma forma que com qualquer outro paciente. É uma questão existencial, o paciente escolhe até onde ele quer chegar, a gente tenta chegar até esse ponto. É preciso pensar nos custos que ele vai ter pela frente, e se está disposto a pagar o preço – é igual a qualquer outro paciente. Os primeiros que vieram para eu atender ficavam muito preocupados em me contar sobre o crossdressing deles. Eu sempre pedia que eles se colocassem como um todo, porque é assim que a pessoa deve se perceber.

Comunicação: E como é para eles manter a vida dupla, que ocorre na maioria dos casos?

Kogut: Algumas das esposas aceitam, alguns não contam para as mulheres, e geralmente, dos que contam para as mulheres, a família de origem não sabe. Muitos não podem abrir mais esse lado porque teriam que pagar um preço muito alto. Enfrentariam muitas críticas, muita pressão. O grande medo que eles têm é de perder muito com isso. E é aí que entra o trabalho desenvolvemos juntos: se ele quer viver essa vida, se isso é super importante e ele tem essa fissura, então é preciso fazer ele integrar isso da melhor maneira na personalidade, pagando só os preços que ele acha que pode pagar.

Comunicação: Existe um limite entre o crossdressing e o transexualismo?

Kogut: Não tem uma linha divisória. Muitos transexuais passam pela fase do travestismo até descobrirem que eles querem fazer a operação para mudar o sexo e que querem viver como mulher pra sempre. Outros fazem algumas modificações, mas param por aí. Tomam hormônio, mas precisam depois usar faixas para disfarçar os seios. Tomam sol de biquíni, e então não podem mais ir à praia ou piscina com amigos, ou têm de ficar de bermuda e camiseta diante deles. Alguns fazem depilação. Enfim, para quem mora na praia principalmente é um problema. São vários conflitos com relação a esse limite, que são realmente causadores de sofrimento.

Comunicação: Existe uma média de idade em que eles passam a se aceitar como crossdressers e a lidar melhor com todas essas questões?

Kogut: Principalmente os que não se reprimem e que tem convívio social, de alguma forma estão integrando isso na vida deles, seja com mais, ou menos sofrimento. Se a mulher sabe, fica um pouco mais fácil. Mas com a internet, eu acredito que as coisas mudaram um pouco. Quando eu comecei a fazer essa pesquisa, a internet não era tão acessível como é hoje e eles se achavam aberrações. Com a internet e a maior facilidade de achar e trocar informações, eles podem dividir isso com outras pessoas, o que é um alívio muito grande. Mas não existe uma idade certa, o que existe é um processo que depende de quando eles descobrem o que é e começam a se aceitar.

Comunicação: Qual é a importância de um clube como o BCC para os crossdressers?

Kogut: Eles poderem encontrar seus pares, ter seus iguais, não se sentirem tão sozinhos. O grupo dá mais força a eles. E esse grupo já fez mais de dez anos, mas só agora começou a aparecer na mídia. É um movimento muito lento, porque o medo da exposição era muito grande. Mas hoje alguns já se expõem um pouco mais.